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A cerca de 200 anos-luz do buraco negro no centro da Via Láctea, encontra-se uma região que intriga os cientistas: Sagitário C. Essa nuvem de gás e poeira, repleta de material para a formação de estrelas, apresenta uma taxa de nascimento estelar surpreendentemente baixa, apesar de já ter dado origem a milhares de estrelas. Para desvendar esse mistério, o Telescópio Espacial James Webb, uma colaboração entre a NASA e seus parceiros europeus e canadenses, foi direcionado a essa região.
Com sua poderosa visão infravermelha, o telescópio conseguiu obter imagens mais nítidas da região, revelando novos insights sobre a baixa produção de estrelas em Sagitário C. Pesquisas recentes, publicadas no The Astrophysical Journal, sugerem que fortes campos magnéticos podem ser os responsáveis pela inibição da formação estelar. A capacidade do Webb de detectar luz infravermelha, que atravessa nuvens de poeira e gás, foi crucial para essa descoberta. O telescópio revelou a presença de duas estrelas gigantes, cada uma com mais de 20 vezes a massa do Sol, e cinco estrelas menores envoltas em camadas de poeira, além de 88 estruturas estranhas de hidrogênio brilhante, possivelmente ondas de choque causadas por estrelas jovens. Os cientistas também descobriram uma fábrica de estrelas separada nas proximidades. Estudos anteriores já haviam mostrado filamentos de gás hidrogênio quente em Sagitário C, e suspeita-se que forças magnéticas do buraco negro supermassivo da Via Láctea, Sagitário A*, possam estar contrapondo a força da gravidade, impedindo o colapso das nuvens densas e, consequentemente, a formação de novas estrelas. A compreensão dos processos em Sagitário C é fundamental para o estudo da formação estelar em geral, uma vez que estrelas produzem a maioria dos elementos químicos da Terra, essenciais para a vida. As descobertas apontam para a importância dos campos magnéticos na formação estelar, tanto na nossa galáxia quanto em outras partes do universo.
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