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‘Concord’: Uma Experiência Fluida, Mas Sem Identidade
‘Concord’, o jogo de estreia da Firewalk, é parte da iniciativa da Sony em lançar mais jogos de serviço online. Após o sucesso de ‘Helldivers 2’ no início do ano, a Sony parecia estar no caminho certo.
‘Concord’ possui mecânicas de jogo sólidas, mas falha ao criar personagens cativantes e não consegue se diferenciar dos outros jogos de tiro com heróis.
A História Sem Graça de ‘Concord’
Uma das tentativas de ‘Concord’ para se destacar de jogos como ‘Overwatch’ e ‘Valorant’ é a inclusão de uma narrativa. A cada semana, ‘Concord’ lança novas vinhetas (cenas curtas que mostram o que os personagens estão fazendo). O problema é que me sinto jogado em uma história existente sem contexto. É difícil me importar com os personagens, pois não há desenvolvimento e a sensação é de assistir a uma cena pós-créditos de um filme da Marvel sem saber o que acontece antes. Essa falta de conexão me deixa perdido.
Também existe uma enciclopédia chamada ‘Galactic Guide’, onde toda a história de ‘Concord’ é documentada. É realmente envolvente se você dedicar tempo para ler tudo. Os personagens que você controla são chamados de ‘Freerunners’, e eles enfrentam a ‘Guild’, um corpo governante que controla as rotas comerciais no espaço. Em termos de lore, o ‘Galactic Guide’ fornece uma riqueza de informações sobre rotas comerciais ocultas para os ‘Freerunners’, permitindo que eles passem pelos pontos de controle da ‘Guild’.
Apesar de interessante, esse é o problema: estou lendo ao invés de jogar. A lore em itens colecionáveis é uma coisa, mas tirar a construção de mundo substancial e colocá-la em um menu separado não torna o jogo mais envolvente.
Ao ler o guia, me sinto em um universo sci-fi rico como ‘Mass Effect’ ou ‘Starfield’. Independentemente do número de partidas jogadas ou modos de jogo, a história de ‘Concord’ não avança, criando um sentimento de desconexão. Na verdade, eu adoraria um jogo para um jogador no universo de ‘Concord’, que poderia ser uma aventura semelhante a ‘Star Wars: Outlaws’.
Os Personagens Esquecíveis de ‘Concord’
A lista de personagens de ‘Concord’ começa com 16 ‘Freerunners’ únicos.
Devido à forma como as vinhetas são lançadas, não consigo me importar com eles no momento. Espero que essa sensação mude com o tempo, pois o ‘Galactic Guide’ contém tanta lore interessante que pode transformar ‘Concord’ em uma ópera espacial convincente.
Mecânicas de Jogo Sólidas, Mas Sem Brilho
Como qualquer outro jogo de tiro com heróis, cada personagem tem suas próprias armas e habilidades únicas para lutar. É divertido experimentar como cada personagem joga para ver qual se adapta melhor ao seu estilo de jogo.
Cada personagem está dividido em seis classes diferentes: Anchor, Breacher, Haunt, Ranger, Tactician e Warden. Os Anchors são os típicos tanques, capazes de receber muito dano, enquanto os Tacticians possuem habilidades mais não convencionais e exigem uma jogabilidade mais estratégica. Isso permite que cada personagem brilhe à sua maneira e torna as partidas memoráveis.
O ‘Job Board’ consiste em desafios diários, semanais e sazonais que concedem experiência ao serem concluídos, como causar uma certa quantidade de dano de perto ou eliminar quatro oponentes com golpes críticos. Gosto da forma como ‘Concord’ lida com eles, pois mesmo ao perder uma partida, ainda sinto que estou progredindo.
A mecânica única de ‘Concord’ para se diferenciar de outros jogos de tiro com heróis é chamada ‘Crew Bonus’. Basicamente, usar uma classe específica fornece um bônus passivo que permanece com você durante toda a partida. Por exemplo, usar um personagem Tactician como Teo concede velocidade de recarga mais rápida, enquanto jogar como um Warden como Haymar concede alcance de arma maior.
O legal é que esses bônus se acumulam e são transferidos, mesmo quando você morre. Então, você pode começar a partida como um personagem Tactician e depois jogar como um Warden para obter ambos os bônus. É um incentivo único que encoraja os jogadores a trocar seus personagens com frequência. O problema, no entanto, é que esses bônus parecem insignificantes ao longo de uma partida inteira. No calor da batalha, nunca senti que esses bônus fizessem diferença entre a vida e a morte.
‘Concord’ tem os modos de jogo típicos como ‘Team Deathmatch’, onde você simplesmente elimina o outro time, e ‘Área Control’, onde você garante um ponto e mantém os inimigos longe. No entanto, ele também carece de um modo de jogo de assinatura como o ‘Escort’ de ‘Overwatch’. Isso contribui para a falta de identidade de ‘Concord’ em relação à sua competição.
Gráficos Realistas, Mas Sem Charme
É aqui que ‘Concord’ tropeça mais. Muitos dos designs de heróis do jogo são pouco atraentes e não possuem nenhum brilho. Os jogos de primeira linha da Sony, como ‘The Last of Us’ e ‘Ghost of Tsushima’, são conhecidos por seus gráficos hiper-realistas, mas acho que isso é um tiro no pé em ‘Concord’. Os modelos 3D parecem muito realistas a ponto de parecerem um vale da estranheza. Além disso, a paleta de cores é muito pastel e não há contraste suficiente. As tonalidades parecem desbotadas.
Por exemplo, o personagem Roka usa um capacete de astronauta com uma armadura de corpo ajustada. No entanto, seu traje é apenas de verdes e marrons opacos, e não consigo perceber sua personalidade por meio de seu capacete. Outro personagem, Amari, tem quase a mesma paleta de cores monótona em seu traje, e ela parece um cosplay ruim do Doomguy. Pelo menos, consigo perceber que ela é um personagem tanque devido ao seu tamanho enorme. O personagem Lennox parece exatamente (não estou brincando) com o ator que interpreta Yondu nos filmes ‘Guardiões da Galáxia’.
Na verdade, achei a arte 2D e conceitual de ‘Concord’ muito mais atraente artisticamente, que você pode ver nos menus, como nas seções ‘Play’ e ‘Freegunners’. Me lembra a arte de ‘Deathloop’ inspirada nos anos 1960 e parece muito mais vibrante. A arte simplesmente não foi traduzida bem para modelos 3D devido à insistência da Sony em gráficos hiper-realistas, e adotar uma direção gráfica mais estilizada, como em ‘Overwatch’ ou ‘Valorant’, teria sido melhor.
Música e Áudio Corretos, Mas Esquecíveis
A trilha sonora de ‘Concord’ é boa na maioria das vezes, e nada em particular se destaca como memorável ou ruim. O jingle de áudio que toca toda vez que você sobe de nível é satisfatório. Também gosto da música orquestral crescente que toca ao navegar pelo ‘Galactic Guide’.
Dificuldade de Desafio Baseada na Habilidade
Dado que ‘Concord’ é um jogo multijogador, sua dificuldade depende totalmente de sua habilidade. Apesar de não ter sentido muito o impacto dos ‘Crew Bonuses’, os jogadores que aprendem e aproveitam a mecânica se sairão melhor do que aqueles que não o fazem.
Os jogadores também não podem usar dinheiro real para comprar boosts mais fortes, então ‘Concord’ é um campo de jogo nivelado, onde a habilidade é o que mais importa.
Desempenho Sem Falhas
Não experimentei nenhum problema de desempenho nem falhas durante meu tempo jogando ‘Concord’. Ele tem tempos de carregamento razoáveis e poucas quedas de quadros, se houver alguma.
Vale a Pena Comprar ‘Concord’?
‘Concord’ tem muito valor de repetição, dado que é um jogo de tiro multijogador, mas isso depende do número de jogadores atualmente jogando.
É um jogo de R$ 200,00 em comparação com a maioria de seus contemporâneos, que são gratuitos. Embora isso permita que ‘Concord’ evite a monetização agressiva, também é uma barreira de entrada para um jogo que ainda não encontrou seu lugar.
‘Concord’ tem algumas bases boas, mas a Firewalk definitivamente precisa construir sobre elas. O tiro e os movimentos parecem fluidos, mas a história e os próprios ‘Freerunners’ não são muito memoráveis até agora. Espero que a Firewalk melhore esses aspectos adicionando mais ‘Freerunners’ com designs e cores mais marcantes, além de fornecer mais contexto por meio das vinhetas. Seu preço atual de R$ 200,00 é alto, então talvez espere uma promoção se você gosta de jogos de tiro com heróis.
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