“Crítica de Setembro 5: Um thriller limitado sobre a crise de reféns nas Olimpíadas de Munique”

O filme \”Setembro 5\” conta a história da crise de reféns nas Olimpíadas de Munique de 1972, ambientada na sala de notícias da ABC em Munique. O foco estreito, quase exclusivamente nos acontecimentos dentro da sala de notícias, resulta em uma abordagem limitada que não aprofunda suficientemente os eventos, nem em retrospectiva, nem como se desenrolaram no momento.

Apesar da competência técnica do diretor suíço Tim Fehlbaum, a experiência cinematográfica é mecânica, com uma perspectiva política problemática. O filme recebeu pouca atenção após sua estreia em Veneza, apesar de figurar em algumas listas de previsões para o Oscar. A narrativa acompanha a equipe de jornalistas enquanto eles lutam para transmitir ao vivo a situação ao mundo, destacando tanto a oportunidade quanto o lado oportunista do jornalismo.

A perspectiva dentro da sala de notícias oferece uma visão singular do processo de transmissão ao vivo, porém, a película falha em explorar profundamente a ética da tomada de decisões televisivas e o papel da mídia na cobertura do evento. Embora toque em pontos como a transmissão de estratégias policiais ao vivo, o filme evita uma análise mais profunda das implicações éticas.

O filme apresenta personagens como Geoffrey Mason (John Magaro), o produtor responsável pelas decisões de edição em tempo real; Roone Arledge (Peter Sarsgaard), o executivo, e Marvin Bader (Ben Chaplin), o supervisor de transmissão. Apesar do potencial conflito entre esses personagens, o filme não explora a fundo a tensão entre o que é certo para a história e o que é melhor para o negócio, em um contexto de uma situação de reféns.

A ausência da perspectiva do jornalista Peter Jennings (Benjamin Walker), que cobriu extensivamente o Oriente Médio, é significativa. Sua breve participação e sugestão de evitar o termo “terrorista” em favor de “guerrilheiros” ou “comandos” é tratada superficialmente, sem analisar a complexidade do contexto político entre Israel e Palestina e a manipulação da linguagem. O filme também apresenta personagens femininos subestimados, que aos poucos são reconhecidos, mas isso não aprofunda a crítica sobre a geopolítica do Oriente Médio.

A intensidade inicial da câmera, comparável a filmes de espionagem, não é mantida durante o filme. A falta de clareza na passagem do tempo prejudica a narrativa, assim como a decisão de focar quase exclusivamente na sala de notícias, deixando de explorar a violência, suas causas e implicações políticas. O filme, com pouco mais de 90 minutos, acaba sendo menos impactante do que um documentário mais completo sobre o mesmo assunto.

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