Introdução
A SpaceX alcançou um marco importante no desenvolvimento da Starship, seu foguete mais ambicioso. O 11º voo de teste, realizado em outubro de 2025, marcou o primeiro lançamento bem-sucedido de satélites simulados e testes críticos de escudos térmicos. Mas será que a empresa de Elon Musk conseguirá cumprir o prazo de 2027 para levar astronautas à Lua?
O que aconteceu no 11º voo
O sistema Starship, com seus impressionantes 123 metros de altura, decolou da Starbase no Texas em uma missão que demonstrou avanços significativos:
Marcos alcançados
- Primeiro lançamento de satélites simulados — A Starship implantou oito satélites Starlink fictícios no espaço, provando sua capacidade de carga útil
- Teste de escudos térmicos — A nave testou novas placas de proteção térmica hexagonais durante a reentrada na atmosfera sobre o Oceano Índico
- Reinício de motor no espaço — Um dos motores Raptor foi reiniciado durante o voo para ajustar a trajetória da nave
- Recuperação do propulsor — O Super Heavy retornou controladamente ao Golfo do México
Por que isso importa
A Starship é crucial para três missões simultâneas da SpaceX:
- Lançamento de satélites Starlink — A nova geração de satélites de internet
- Programa Artemis III — Levar astronautas da NASA de volta à Lua em 2027
- Exploração de Marte — O objetivo final de Elon Musk para a década de 2030
A NASA escolheu a Starship como a nave lunar para o programa Artemis, com um contrato de US$ 3 bilhões. O sucesso dos testes é essencial para manter esse cronograma.
Os desafios técnicos que permanecem
Especialistas da indústria espacial alertam que a SpaceX ainda precisa superar obstáculos significativos:
Órbita terrestre completa
Até agora, todos os lançamentos da Starship foram suborbitais. A nave ainda não completou uma órbita terrestre completa, algo fundamental para missões operacionais.
Reabastecimento em órbita
Para chegar à Lua ou Marte, a Starship precisará ser reabastecida no espaço — uma proeza de engenharia nunca realizada com propulsores criogênicos. Transferir centenas de toneladas de combustível líquido entre duas naves em gravidade zero é considerado “extremamente complexo”.
Aterrissagem lunar
A Starship precisa demonstrar que pode:
- Alcançar a órbita lunar
- Acoplar com infraestrutura existente na Lua
- Aterrar com segurança com humanos a bordo
Reutilização total
Embora a SpaceX tenha dominado a reutilização com o Falcon 9, a Starship enfrenta desafios maiores. A parte superior da nave retorna à Terra “coberta de chamas”, exigindo manutenção extensiva entre voos.
O que vem por aí: Starship V3
A SpaceX já prepara a próxima geração do foguete. A Starship V3, prevista para início de 2026, trará:
- Mais potência — Capacidade de atingir órbita terrestre
- Nova configuração de propulsão — Sistema “foguete dentro de foguete” para acender 33 motores simultaneamente
- Adaptadores de acoplamento — Para transferência de combustível entre naves
- Produção em massa — Permitindo lançamentos operacionais de satélites
Conclusão
O 11º voo de teste representa um avanço significativo, mas especialistas estimam que serão necessários pelo menos mais 10 a 20 testes antes de humanos embarcarem. Com o prazo de 2027 para a Artemis III se aproximando, o tempo está se esgotando.
Para Elon Musk, a Starship é a chave para tornar a humanidade “multiplanetária”. Para a NASA, é a esperança de retornar à Lua após mais de 50 anos. O próximo ano será decisivo para determinar se essas ambições se tornarão realidade.
Referências: G1 Globo, Euronews, Agência Brasil, Exame, BBC Brasil
