“A ideia de que a IA (Inteligência Artificial) seria gratuita para sempre parece estar chegando ao fim. Diversos sistemas de IA, como chatbots e geradores de conteúdo, estão migrando para modelos de assinatura. Essa mudança levanta preocupações importantes, especialmente considerando que esses sistemas foram treinados em dados criados por outros, e muitos continuam a utilizar buscas na internet para alimentar suas respostas. \n\nEmbora algumas empresas de IA, como a OpenAI, estejam firmando parcerias com empresas de mídia para abordar o problema do uso de conteúdo sem autorização, a situação ainda é complexa, principalmente no que diz respeito aos artistas visuais.\n\nUm exemplo é o sistema Ideaogram, que parece não ter problemas em reutilizar propriedade intelectual sem compensar os criadores. A situação é ainda mais preocupante para criadores de conteúdo no YouTube, com relatos de que empresas como Apple, Nvidia e Anthropic utilizaram milhares de vídeos para treinar suas IAs.\n\nApesar de não serem cópias exatas, os sistemas de IA utilizam os dados de treinamento para gerar conteúdo que, muitas vezes, se assemelha ao material original. Essa dependência torna questionável a validade da alegação de que a IA cria algo totalmente novo. \n\nAlém disso, o desenvolvimento e treinamento de modelos de IA exigem altos investimentos, tanto em tempo quanto em recursos. O relatório do Washington Post sobre o treinamento da Alexa AI da Amazon demonstra que o processo pode levar anos e resultar em custos significativos, que provavelmente serão repassados para o usuário. \n\nA tendência de cobrar por acesso à IA está se tornando cada vez mais comum. A Amazon pode lançar um plano de assinatura para a Alexa AI, enquanto a Samsung, embora não cobre atualmente pelo Galaxy AI, deixa a porta aberta para a possibilidade de cobrar no futuro. Há também rumores de que a Apple pode cobrar por alguns recursos de sua plataforma de IA, o Apple Intelligence.\n\nEssa situação traz à tona uma lição que os meios de comunicação impressos aprenderam tardiamente com a chegada da internet: o conteúdo gratuito não é sustentável a longo prazo. Inicialmente, a internet era vista como um espaço aberto e sem anúncios. No entanto, com o tempo, os anúncios se tornaram onipresentes e as empresas de mídia perceberam que a receita gerada por eles não compensava a perda de assinaturas. \n\nA IA, por sua vez, passou por um período inicial de gratuidade, mas essa fase está rapidamente chegando ao fim. O futuro do acesso à IA parece ser pago. \n\nEnquanto a internet teve um início com barreiras de acesso relativamente baixas, a IA pode seguir um caminho diferente. Com grandes empresas investindo em seus próprios sistemas de IA e considerando a possibilidade de oferecer acesso diferenciado aos recursos mais avançados, a IA pode criar uma nova divisão digital entre aqueles que podem pagar e aqueles que não podem. \n\nO problema principal é que a IA é construída sobre a base de informações e conteúdo criados por outros, que, em sua maioria, não são remunerados por essa contribuição. Essa disparidade pode perdurar até que as empresas de IA encontrem uma forma justa de compensar os criadores que contribuíram para a revolução da inteligência artificial.”